Bloco da Preta arrastou 320 mil pessoas pelas rua do Centro do Rio na manhã deste domingo (16) Fernando Maia / Riotur O carnaval deste ano promete.

Por motivos que minhas limitações em sociologia me aconselham não expor, a folia vai ser das maiores dos últimos anos.

No Rio e em São Paulo.

Uma infinidade de blocos, oficiais ou piratas, começa a colorir as ruas onde, até outro dia, só havia chuva e lama. A promessa se estende às escolas de samba, que vão desfilar com enredos interessantes (nem todos) embalados por sambas de qualidade (nem todos).

Aqui, refiro-me apenas às agremiações cariocas, pois ainda não ouvi a safra paulistana. Uma das características do desfile são os temas afro.

Ou melhor, afro-brasileiros.

Nas histórias que contam ou nos termos pedidos emprestados ao candomblé, a presença negra é notável.

Como diz o Samba da Estácio, é ela “a pedra fundamental do samba”.

E é bom que essa tendência ocorra justamente no momento em que a Justiça brasileira inocenta um racista em dose dupla: racista por ser contra os negros e racista por ser ele mesmo negro.

Uma exceção aos temas afro é o samba da União da Ilha, cujo enredo, de título longo (“Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: salve-se quem puder!”), não está bem explicado na letra.

Salvo melhor avaliação, tem qualquer coisa com filhos da pátria e amor de mãe (nada a ver com a novela das 9).

Portela e Vila Isabel se lembraram do índio.

Ponto para elas.

A escola de Monarco, com um samba que pode contagiar, defende que “índio é arco, é flecha, é essência”.

Mais importante: é dono do chão que pisa.

A escola de Martinho elege Jaçanã como um “índio chamado Brasil” e encontra espaço para também saudar Preto Velho quilombola. A Viradouro, de ama lavada, também fala de quilombo, acarinha as lavadeiras e diz que seu “balaio é do tamanho do suor de seu amor”.

A Tuiuti tem o samba de melodia mais linear, mesmo considerando ser essa linearidade e a aceleração rítmica duas características do samba-enredo da era Sapucaí.

E a Grande Rio, com seu “canto do caboclo no quilombo de Caxias”, é a que leva mais longe o uso de termos afro.

Estou certo de que, na passarela, Paolla Oliveira vai atender ao apelo que serve de fecho ao samba de sua escola (“Eu respeito seu amém/Você respeita meu axé”), já entender toda a as pompas O carnaval deste ano promete.

Por motivos que minhas limitações em sociologia me aconselham não expor, a folia vai ser das maiores dos últimos anos.

No Rio e em São Paulo.

Uma infinidade de blocos, oficiais ou piratas, começa a colorir as ruas onde, até outro dia, só havia chuva e lama. A promessa se estende às escolas de samba, que vão desfilar com enredos interessantes (nem todos) embalados por sambas de qualidade (nem todos).

Aqui, refiro-me apenas às agremiações cariocas, pois ainda não ouvi a safra paulistana. Uma das características do desfile são os temas afro.

Ou melhor, afro-brasileiros.

Nas histórias que contam ou nos termos pedidos emprestados ao candomblé, a presença negra é notável.

Como diz o Samba da Estácio, é ela “a pedra fundamental do samba”.

E é bom que essa tendência ocorra justamente no momento em que a Justiça brasileira inocenta um racista em dose dupla: racista por ser contra os negros e racista por ser ele mesmo negro.

Uma exceção aos temas afro é o samba da União da Ilha, cujo enredo, de título longo (“Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: salve-se quem puder!”), não está bem explicado na letra.

Salvo melhor avaliação, tem qualquer coisa com filhos da pátria e amor de mãe (nada a ver com a novela das 9).

Portela e Vila Isabel se lembraram do índio.

Ponto para elas.

A escola de Monarco, com um samba que pode contagiar, defende que “índio é arco, é flecha, é essência”.

Mais importante: é dono do chão que pisa.

A escola de Martinho elege Jaçanã como um “índio chamado Brasil” e encontra espaço para também saudar Preto Velho quilombola. A Viradouro, de ama lavada, também fala de quilombo, acarinha as lavadeiras e diz que seu “balaio é do tamanho do suor de seu amor”.

A Tuiuti tem o samba de melodia mais linear, mesmo considerando ser essa linearidade e a aceleração rítmica duas características do samba-enredo da era Sapucaí.

E a Grande Rio, com seu “canto do caboclo no quilombo de Caxias”, é a que leva mais longe o uso de termos afro.

Estou certo de que, na passarela, Paolla Oliveira vai atender ao apelo que serve de fecho ao samba de sua escola (“Eu respeito seu amém/Você respeita meu axé”), já entender toda a letra...

O samba da Beija-Flor começa como uma exclamação: “Preceito!” Há quem tema que os foliões entendam mal e, sem querer, acabem chamando quem não gosta de carnaval. Torcedores da Unidos da Tijuca garantem que seu samba é o melhor.

Talvez.

Mas, feito de encomenda por profissionais como Dudu Nobre e Jorge Aragão, cita obra-prima da Império Serrano, de 70 carnavais atrás, nos versos “Como é linda a vista lá do meu Borel” e “Linhas do arquiteto, a vida em construção”.

Sendo uma exaltação ao morro, nas mãos do carnavalesco Paulo Barros, não se duvide de que a escola tijucana vá descer para brigar pelo título. No campo das homenagens, ambas a artistas negros, a Mocidade converte Elza Soares em deusa e dedica a ela versos como “É hora de acender no peito a inspiração/Sei que é preciso lutar com as armas de uma canção”.

E o Sagueiro de Aldir Blanc vem forte, com a letra mais bem-feita (não por Aldir).

Cantar o palhaço Benjamim de Oliveira no sesquicentenário de seu nascimento é lembrar um dos primeiros negros a serem reconhecido pelas nossas elites culturais.

A Mangueira, como sempre, não quer apenas marcar presença.

Seu samba é bom e deve funcionar na avenida.

Claro, se os problemas que teve com o seu “Jesus Gente” não voltarem a incomodar carolas e mal-humorados E é só.

Perdoe-me os comentários apressados e superficiais.

Afinal, a hora da verdade só vai acontecer lá, onde o samba samba, domingo e segunda.

Enquanto isso, nada carnavalescos, prefeito e presidente “sambam” música gospel para uma multidão de fiéis.

* * * Georgiana de Moraes me telefona para falar de outro carnaval, o carnaval do Orfeu sambista que o pai dela, nosso querido Vinicius, imortalizou em “Orfeu da Conceição”.

Já me ocupei do assunto, aqui mesmo, em dois artigos (leia o primeiro e o segundo).

E vou voltar a ele com informações que Georgiana me passou sobre – agora sim! – uma possível produção na Broadway.